quarta-feira, 25 de agosto de 2010

“Aterrado o senso de propriedade,
Pois que já não era o mesmo indivíduo,
Duplo nome de uma só natureza,
Que não se chamava dois nem um.
E depois ficou confusa a razão
Vendo aumentar em si a divisão”
(The Phoenix and the Turtle, William Shaekespeare)



Eles medem tudo.. casas, roupas, palavras e até sentimentos. Metrificados, medidos e comedidos. Superficiais como uma mão mal passada de tinta. Admirável mundo novo, o que está acontecendo com o ser humano, que antes era humano, demasiado humano, e hoje, não consegue ao menos, ser humano?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010


Muitos olham, poucos vêem;
Muitos falam, poucos entendem;
Muitos escutam, poucos consideram;
Muitos observam, poucos absorvem.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Paráfrase de: TABACARIA (15-1-1928 )
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)


Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?

O mundo é para quem nasce para o conquistar.
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Calcando aos pés a consciência de estar existindo.


E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Ergo-me enérgica, convencida, humana...
Ao pensar e libertar na vida a reflexão de todos os meus pensamentos.
Sigo a em uma rota própria,
E sinto, num momento sensitivo e competente,
A consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.
Sempre isto! Ou sempre outra coisa? Talvez nem uma coisa nem outra...

É disso que eu tenho medo...

Trecho de TABACARIA (15-1-1928 )
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
0 dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pregada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eu não sou linear. Eu não sou uma pessoa terminada, eu não quero rótulos nem roteiros prontos, não existe começo nem fim em mim. Eu existo. Não sou produto, sou só coração. Vivo em um meio que me parece eterno. Um meio que me faz escrever, ser e mudar a cada dia.
Não me pergunte aonde vou, mas me peça pra voltar. Sou fácil de ler, mas não tente descobrir porque o mesmo refrão insiste em tocar tanto. Se eu gostar de você, tenha a delicadeza de também gostar de mim. E me deixe ser, assim, exatamente como eu sou. Meio gato, meio gente. Desconfiada. E independente.

Fernanda Mello
" Te­nho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída” .
Clarice Lispector in Um Sopro de Vida .


"Me nego a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária.
A estabelecer relações ordinárias.Necessito o êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Me adapto a mim mesma."

"Chorei porque não era mais uma criança com a fé cega de criança. Chorei porque não podia mais acreditar e adoro acreditar. Chorei porque daqui em diante chorarei menos. Chorei porque perdi a minha dor e ainda não estou acostumada com a ausência dela."

"Um homem jamais pode entender o tipo de solidão que uma mulher experimenta. Um homem se deita sobre o útero da mulher apenas para se fortalecer, ele se nutre desta fusão, se ergue e vai ao mundo, a seu trabalho, a sua batalha, sua arte. Ele não é solitário. Ele é ocupado. A memória de nadar no líquido aminótico lhe dá energia, completude. A mulher pode ser ocupada também, mas ela se sente vazia. Sensualidade para ela não é apenas uma onda de prazer em que ela se banhou, uma carga elétrica de prazer no contato com outra. Quando o homem se deita sobre o útero dela, ela é preenchida, cada ato de amor, ter o homem dentro dela, um ato de nascer e renascer, carregar uma criança e carregar um homem. Toda vez que o homem deita em seu útero se renova no desejo de agir, de ser. Mas para uma mulher, o climax não é o nascimento, mas o momento em que o homem descansa dentro dela."

Anais Nin