terça-feira, 25 de maio de 2010


Hoje está um dia de nada. Hoje é zero hora. Existe por acaso um número que não é nada? que é menos que zero? que começa no que nunca começou porque sempre era? e era antes de sempre? Ligo-me a esta ausência vital e rejuvenesço-me todo, ao mesmo tempo contido e total. Redondo sem início e sem fim, eu sou o ponto antes do zero e do ponto final. Do zero ao infinito vou caminhando sem parar. Mas ao mesmo tempo tudo é tão fugaz. Eu sempre fui e imediatamente não era mais. O dia corre lá fora à toa e há abismos de silêncio em mim. A sombra de minha alma é o corpo. O corpo é a sombra de minha alma.

Clarice Lispector.

sábado, 15 de maio de 2010



E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moça
Sem ter visto a vida

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.
Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calmo e perdôo logo.
Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre.

Clarice Lispector

quinta-feira, 13 de maio de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010


A perfeição é uma ilusão.
E a felicidade... Expansiva!
Levo comigo a mania de sempre continuar a florir,
e cultivar jardins.
E sei que nesta peregrinação, só minha, descubro pérolas impossíveis, de tão puras.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010